terça-feira, 7 de agosto de 2007

Da série "eu sou esquisita"

Quando acontece alguma coisa chata com você e você fica triste, é normal que você faça algo de bom para você, algo para se sentir bem: faz compras, come algo gostoso. Ok. Pode até ser que você prefira se esconder e durma o dia inteiro. Mas acho que não é comum que você piore a situação. Sim! Eu pioro a situação. Eu, afogada na minha decepção, frustração, fracasso ou o que quer que seja, tento tornar tudo um pouco pior. Eu começo um processo sistemático de autopunição que inclui desde comer com o objetivo de engordar e ficar horrível a voltar a tomar anfetamina.
Vamos falar deste hábito, grande problema na minha vida, de tomar anfetamina com o objetivo de ficar bonita. Todos sabemos que esse é um bonita esquisito, pois é uma beleza que surge em detrimento da minha sanidade. Esse lance me faz mal, definitivamente. Mas eu, agora, estou precisando me agarrar em alguma coisa. Tudo está solto e eu me perdi de mim mesma. Sendo assim, nada melhor que eu me agarrar na neurose do corpo perfeito com o pretexto de me sentir bem e bonita. Assim, quem sabe, volto a ter um terra à vista, qualquer que seja ele, e posso continuar nesse barco sem afogar.
Viu? Mais um texto "vou ser sincera comigo". Acho que vou desistir da terapia. Não dá certo mesmo. Eu, hoje à noite, vou omitir isso do remédio para a terapeuta. Sei que se eu contar, ficarei com o sentimento de culpa de ter comprado os remédios. Não quero ficar mais culpada (veja bem, mais culpada). Já tenho culpas suficientes para três vidas. Ela vai fazer com que eu veja que a compra do remédio foi sintomático do meu autoboicote. Eu sei que foi. Ela não precisa me dizer. Não vou contar.
Talvez eu conte tudo isso que estou escrevendo. Mas vai ser só para dizer que eu sou imatura emocionalmente e que a terapia não está me ajudando e eu preciso parar.
Sei lá. Eu sou esquisita. Mas acho que as resoluções de ano-novo começam a fazer efeito.